O Brasil esteve em Davos, mas será que entendeu a mensagem?

Em janeiro de 2026, no Fórum Econômico Mundial, Jamie Dimon, CEO do JPMorganChase, trouxe uma visão que mistura otimismo tecnológico com um pragmatismo social brutal. Ele não falou apenas sobre algoritmos, mas sobre consequências reais.

Jamie Dimon trouxe como exemplo central a existem cerca de 2 milhões de caminhoneiros nos EUA que hoje sustentam suas famílias com bons salários. A substituição deles por frotas autônomas e #IA é “logicamente inevitável” para a eficiência e o meio ambiente. No entanto, Dimon alertou que, se essa transição não for gerenciada, o resultado será agitação civil.

Para ele, a IA é como a prensa móvel ou a eletricidade: vai mudar tudo. Ele prevê que, em poucos anos, o próprio JPMorgan terá menos funcionários, e as futuras gerações poderão trabalhar apenas 3,5 dias por semana. Mas o “caminho até lá” exige planos massivos de requalificação, sob o risco de colapso social.

E agora, a provocação: o Brasil está preparado para essa conversa?

Desconsiderando as péssimas condições de nossa infraestrutura, a ineficiência crônica do Estado e o conhecido egoísmo de nossa classe política, temos uma bomba relógio em mãos.

No Brasil, a sociedade já vive espremida por impostos sufocantes. Nesse cenário, a adoção de IA, automação e robotização não será apenas “inovação”, será a única saída das empresas para reduzir custos e sobreviver à carga tributária.

O que isso fará com a nossa já combalida população? Diferente dos EUA, onde Dimon sugere requalificação, no Brasil corremos o risco de empurrar milhões de trabalhadores para a obsolescência. Em que grau chegarão as nossas taxas de desemprego — já tão manipuladas por metodologias que mascaram o desalento e a informalidade precária (IBGE)?

Enquanto o mundo discute como gerenciar a abundância gerada pela IA, o Brasil corre o risco de usar a mesma tecnologia apenas para acelerar a exclusão, tudo isso sob o silêncio de Brasília e o peso de um Estado que se recusa a modernizar a sua própria mentalidade.

A tecnologia avançará na velocidade da luz. A nossa capacidade de absorvê-la socialmente parece estar em marcha à ré.

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World Economic Forum


Publicado originalmente no LinkedIn em 8 de fevereiro de 2026.

Rafael Ioschpe

Rafael Ioschpe

Clinical development and pharmaceutical R&D leader with more than 20 years of experience.Executivo de desenvolvimento clínico e P&D farmacêutico com mais de 20 anos de experiência.

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