O que é GRIT?

“Grit“. Como destacou David Feffer (Grupo Suzano), esta é uma palavra que desafia a tradução para o português. Não é apenas garra, nem apenas resiliência; é a combinação indissociável de Paixão + Perseverança. É o querer fazer e o fazer até o fim, movido por um impulso que muitas vezes opera além da consciência imediata.

Na obra de Angela Duckworth, “Grit: O Poder da Paixão e da Perseverança”, o conceito é apresentado não como uma tática de curto prazo, mas como uma orientação psicológica estável. O estudo científico de Duckworth sugere que esse traço é um dos preditores mais consistentes de sucesso, superando o talento nato. O grit não é algo que se “liga” para resolver um problema; é o motor interno que mantém a pessoa na pista quando o entusiasmo inicial se dissipa e o esforço se torna a única constante.

Essa busca por profissionais “gritty” já não é apenas uma teoria acadêmica, mas uma tendência central no mercado de capitais humanos. O relatório Future of Jobs do Fórum Econômico Mundial lista a resiliência e a persistência como competências críticas para a competitividade global. Em um cenário de mudanças aceleradas, as empresas estão priorizando a capacidade intrínseca de manter a performance sob pressão. Como observa Anders Ericsson em “Peak”, a excelência é o resultado de uma persistência que habita o desconforto, algo que as organizações agora tentam identificar já no processo de recrutamento.

No entanto, essa natureza intrínseca traz nuances. Autores como Alfie Kohn provocam uma reflexão sobre o peso do contexto; embora o grit seja um motor poderoso, o ambiente pode influenciar a viabilidade desse esforço. Entretanto, a realidade corporativa frequentemente revela indivíduos que, independentemente de privilégios, possuem esse impulso de entrega inato — uma força que os leva a carregar o piano e atravessar a linha de chegada enquanto outros se acomodam em zonas de conforto.

No final, quem vence não é necessariamente o mais preparado tecnicamente, mas aquele cujo impulso interno o impediu de abandonar o projeto. Como bem resume David Feffer:

“Porque saber fazer não basta. Você precisa QUERER fazer. E não desistir no meio.”

#Grit #RecursosHumanos #GestãoDePessoas #Liderança #MundoCorporativo #FutureOfWork #AngelaDuckworth #Resiliência #Performance #BusinessManagement #RecrutamentoESeleção #WorldEconomicForum


Publicado originalmente no LinkedIn em 9 de fevereiro de 2026.

Rafael Ioschpe

Rafael Ioschpe

Clinical development and pharmaceutical R&D leader with more than 20 years of experience.Executivo de desenvolvimento clínico e P&D farmacêutico com mais de 20 anos de experiência.

Comments

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Rafael Ioschpe

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo